Percepção e interpretaçãoNa estrutura capitalista, o sistema de lucro pode tornar prósperos qualquer grupo ou empresa que for bem-sucedido em atender as necessidades das pessoas, da maneira melhor e mais barata possível. E para satisfazer o consumidor é interessante estudar como ele se comporta. Psicologia, Marketing, Administração e Sociologia são as algumas disciplinas que, de um modo ou outro, tentam descrever o comportamento e as atitudes do ser humano frente aos seus momentos de compra. A soberania do consumidor é o ponto central no qual se baseia a área do Marketing. Na área do Design, não deve ser diferente.
O designer deve buscar a melhoria dos aspectos tanto funcionais como visuais do produto (ou da comunicação visual), de modo a atender às necessidades do consumidor.
O ser humano obtém informações do mundo através dos sentidos. É importante reconhecer que os estímulos naturais provenientes da realidade e a percepção que se tem deles podem ser completamente diferentes. Pessoas diferentes podem atribuir significados diferentes aos mesmos estímulos, porque sua percepção é influenciada por suas expectativas e suas experiências anteriores.
Atualmente considera-se que três fatores influenciam o processamento de informação recebida pelos sentidos: percepção, nível de envolvimento da pessoa e memória. A percepção é o processo por meio do quais indivíduos são expostos à informação, prestam atenção nela e a compreendem. No estágio de exposição inicial, o que Charles Sanders Peirce classificaria como primeiridade, as pessoas recebem a informação por meio dos sentidos. No estágio de atenção, concentra-se, de forma deliberada ou não, em um estímulo de modo a direcionar a capacidade de processamento. No estágio de compreensão organiza-se e interpreta-se a informação a fim de captar seu significado.
O segundo fator que influencia o processamento da informação é o grau de importância percebida ou o interesse pessoal. O interesse pode ser circunstancial ou mais profundo. A combinação de importância percebida com interesse também tem relação com as funções de memória, que por sua vez, ajuda a orientar os processos de exposição e atenção.
No estágio de compreensão, a mente humana organiza e interpreta a realidade. Grande parte do que existe atualmente sobre organização perceptiva provém da teoria da Gestalt. A palavra Gestalt, de origem alemã, pode ser traduzia para o português como figura, forma, feição, aparência, conformação. A psicologia da forma, como também é chamada a Gestalt, foi desenvolvida pelo psicólogo alemão Max Wertheimer e colaboradores nas duas primeiras décadas do século XX. Funda-se no princípio que o homem compreende o que percebe pelos sentidos como parte de um contexto total. É praticamente impossível ver as duas imagens ao mesmo tempo, e a passagem de uma para a outra faz-se bruscamente, de uma só vez, por reconstrução mental do conjunto. Além disso, a Gestalt trata do equilíbrio entre figura e fundo, da simetria, similaridade, fechamento, proximidade e continuidade dos elementos visuais.
No estágio de interpretação, as pessoas vão buscar dentro de suas lembranças suas expectativas com relação a “como deve ser” o estímulo, para que possam interpretá-lo. As inclinações e tendências pessoais do consumidor também influenciam a interpretação do estímulo. Se alguém acredita que um produto é de alta qualidade, essa expectativa predispõe sua interpretação a avaliar o melhor nível de qualidade.
Um obstáculo a ser vencido por produtos (ou comunicações visuais) lançados internacionalmente são as diferenças sócio-culturais. Diferentes culturas interpretam o mesmo trabalho do designer de modo diferente. De fato, elementos básicos sofrem diferentes interpretações. A cor vermelha, por exemplo, é considerada muito mais chamativa no ocidente que no oriente, possivelmente por causa dos pigmentos da cor serem conhecidos há muito mais tempo pelos orientais. Nas civilizações mais antigas, as cores faziam parte mais das necessidades psicológicas do que das estéticas, e as que mais surpreendiam serviam para destacar a presença de autoridades e sacerdotes, através do vestuário e ornamentos.
Não apenas públicos diferentes interpretam os signos de maneiras diferentes, mas o tempo pode mudar sua interpretação. O designer deve-se ficar atento ao uso de símbolos e ao modo como os potenciais clientes reagirão frente a eles. Todo elemento na identidade visual de uma marca transmite algo e portanto pode ser usado com um objetivo.
(Esse é a uma parte do meu trabalho de final de semestre pra Semiótica. Confesso que sem alguns trechos não tem nada de Semiótica)